Reuniam discussões vanguardistas nas artes, na filosofia e na política. Depois do advento dos meios de comunicação de massa, as vanguardas passaram a se organizar em “cenas” que se rotulam de “underground”, “alternativas” ou de “contra-cultura”.
Ao pronunciarmos a palavra “cabaré”, as imagens mais comuns são as cenas imortalizadaspor Tolouse Lautrec em suas pinturas . E Marlene Dietrich em “ Anjo Azul” com seu realismo fantástico e atmosfera nebulosa e barroca.
Lembramos também da boemia dos artistas e pensadores modernistas no Quartier Latin e outros bairros então pobres de Paris.
Também a obra poética e musical de Bertold Brecht e Kurt Weil, são referências bastante conhecidas do período que a historiografia classifica como a “cabaret culture” oficial : o entre guerras ( 1919- 1938 ) na Alemanha, com todo a crise social e hiperinflação da República de Weimar.
Antigos cabarés, o teatro burlesco, os “scketches” populares do “Teatro de Vaudeville” com suas maquiagens exageradas e circenses, as canções que falam de forma simples dos sentimentos das pessoas, com shows vistosos, dramáticos e populares.
Esses são embriões do que no século XX se tornou arte POP. Também no começo do século XX, quando o Cinema nasce, sua estética vai beber destas fontes e de outras comuns ao Expressionismo.
Passam-se os anos e a a Filosofia dos anos 50 e 60 é existencialista, e um movimento chamado Beat ou Beatnick passa a se reunir em um outro tipo de “cabaret” : os “clubs”, sombrios e esfumaçados, onde existencialistas-psicanalíticos-marxistas –leitores de Baudelaire e de poesia Beat se vestiam predominantemente de escuro ouviam Jazz “degenerado”e se interessam por experimentos artísticos modernistas.
No fundo, poucas diferenças entre estes e o cabaré de “Lola-Lola”. ( personagem de Anjo Azul )
Nos anos 1960-1970, artistas formados na cultura Beat começam a se aproximar do Rock’n’roll, amadurecendo o gênero.
O musical “Cabaret” (1972 ) resgata e glamouriza o tema, mas a corista vamp Interpretada por Liza Minelli agora usa coturnos combinando com o corpete, cinta-liga e chapéu coco.
Siouxie Sioux é uma Liza Minelli punk. De fato as cenas glam, punk e wave e pos-punk bebem sequiosamente de toda essa tradição “vaudevillesca”, e sintetiza seus significados em estéticas para o fim-de-século e milênio. Os anos 1980, com a iminente ameaça de apocalipse nuclear e a falência do sonhos americanos e de paz e amor, se parecem muito com vários outros períodos anteriores desde a revolução industrial.
O cabaré sempre foi o lugar daqueles que não tem o “poder” ou o “phallus” no apolíneo mundo da sociedade industrial e positivista. O lugar dos “belos perdedores” e dos “comedores de lotus”. O lugar de coisas “improdutivas” e “pouco práticas” não mensuráveis nos gráficos dos noticiários.
Coisas que, paradoxalmente, fazem a sociedade aceitar novos padrões de comportamento, antes considerados malditos. Mas até serem aceitos, o cabaré é casa e refúgio, e um local para recuperamos a sanidade ameaçada em um mundo que não é feito para seres humanos. Por alguns momentos de congraçamento nos esquecemos do mundo lá fora, e cantamos:
“ This is a Happy House,we’re happy IN here.”
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